Não consigo dormir. Dói-me a alma, dói-me o coração. Dói-me quando penso em ti, e quando me lembro que a culpa de tudo isto foi, e é minha. Não espero que me perdoes. Sei que não o farás. Sei o quanto te magoei, e o quanto continuo a magoar. Mas acredita, meu amor, que não és o único a sofrer. Por isso, vou desaparecer, resignarme-ei ao silêncio, à escuridão, às trevas. Nunca mais ninguém me verá, jamais aparecerei aos teus braços dizendo o quanto te amo, o quanto te quero, o quanto és especial para mim. Porque isso já não tem importância para ti. Alguma vez teve? Espero que sim. Alcancei o limiar da felicidade contigo, fui amada, fui acarinhada, presenteada, surpreendida, deslumbrada...
Alguma vez deve ter tido importância... Já perdi a conta dos dias que passaram desde que estivemos juntos, que nos tocámos, abraçámos, beijámos, desde que me disses-te "Amo-te" pela última vez. Tenho saudades desses tempos. Saudades do tempo em que eu era feliz contigo amor. E que ouvia a tua voz. Para onde é que ela foi? Para os ouvidos de outra rapariga? E os teus braços? Quem abraçam eles agora? Para onde vão os teus beijos, que antes eram meus? Acho que não quero saber as respostas para estas perguntas. Dizes que ainda gostas de mim. Que ainda me amas. Que ainda estás apaixonado por mim. Mas não é paixão o que sentes. Porque se fosse, não te lembravas de um só erro, mas lembravas-te de todos os momentos em que te fiz realmente feliz. Se o fiz. Estou à beira de um abismo, mas não quero cair. Ajuda-me.
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