quinta-feira, abril 22, 2010

Perdeste.

Ao perder-te eu a ti, tu e eu teremos perdido.
Eu, porque tu eras o que eu mais amava.
Tu, porque era eu que te amava mais.
Mas, de nós os dois,
tu perdes mais do que eu. 
Porque eu poderei amar a outros como amava a ti,  
Mas a ti não te amarão mais do que te amava eu!

domingo, abril 18, 2010

Almas

A minha alma, que está perdida, brinca no meu pensamento, à volta da casa, entre a erva alta, as flores sem nome, os bichos compridos que matava como quem cumpre um dever, no calor igual ao do dia anterior, tão quente que não se dava por ele.
Vou deixar de estudar. Vou estudar muito. Vou tratar bem os meus amigos. Nunca mais lhes falar.
Não me faz falta a minha alma. Estou cercada por almas. Não posso abrir um livro. Não posso ouvir um desabafo. Nenhum segredo, por muito secreto, me atrai.
Gostava de morrer sem ninguém reparar, mas continuar consciente, como estou agora, só para ver as coisas e as pessoas a passar. Não quero que me deixem sozinha. Nada sei fazer de mim
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segunda-feira, abril 12, 2010

À beira de um abismo.

Não consigo dormir. Dói-me a alma, dói-me o coração. Dói-me quando penso em ti, e quando me lembro que a culpa de tudo isto foi, e é minha. Não espero que me perdoes. Sei que não o farás. Sei o quanto te magoei, e o quanto continuo a magoar. Mas acredita, meu amor, que não és o único a sofrer. Por isso, vou desaparecer, resignarme-ei ao silêncio, à escuridão, às trevas. Nunca mais ninguém me verá, jamais aparecerei aos teus braços dizendo o quanto te amo, o quanto te quero, o quanto és especial para mim. Porque isso já não tem importância para ti. Alguma vez teve? Espero que sim. Alcancei o limiar da felicidade contigo, fui amada, fui acarinhada, presenteada, surpreendida, deslumbrada...
Alguma vez deve ter tido importância... Já perdi a conta dos dias que passaram desde que estivemos juntos, que nos tocámos, abraçámos, beijámos, desde que me disses-te "Amo-te" pela última vez. Tenho saudades desses tempos. Saudades do tempo em que eu era feliz contigo amor. E que ouvia a tua voz. Para onde é que ela foi? Para os ouvidos de outra rapariga? E os teus braços? Quem abraçam eles agora? Para onde vão os teus beijos, que antes eram meus? Acho que não quero saber as respostas para estas perguntas. Dizes que ainda gostas de mim. Que ainda me amas. Que ainda estás apaixonado por mim. Mas não é paixão o que sentes. Porque se fosse, não te lembravas de um só erro, mas lembravas-te de todos os momentos em que te fiz realmente feliz. Se o fiz. Estou à beira de um abismo, mas não quero cair. Ajuda-me.